sexta-feira, 23 de maio de 2008

Mudando de casa...

Não, eu não estou me mudando... o blog sim. Nos mudamos para: http://vastomundo.argollo.com

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This blog now has a new home: http://vastomundo.argollo.com

terça-feira, 20 de maio de 2008

"Terra! Por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria?"*

"De onde nem tempo, nem espaço
Que a força mãe dê coragem
Prá gente te dar carinho
Durante toda a viagem
Que realizas do nada
Através do qual carregas
O nome da tua carne..."*
Este vídeo abaixo nos mostra a dimensão de nossa mesquinhez e insignificância. E, paradoxalmente, também nossa grandeza.




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* Terra - Caetano Veloso

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Por debaixo da terra...

Me sinto como nosso planeta.
Por fora calmo, cheio de vida, as árvores crescem e a vida é exuberante.
Por dentro uma bola de fogo, o magma, altas pressões.

Nos poucos momentos em que algo fura a delicada proteção exterior sai um vulcão de sentimentos e se solidifica uma nova paisagem.

Não sei o porquê mas sempre escondi os sentimentos em uma imágem de pura estabilidade e muitas vezes frieza. Meu irmão que o diga. Poucos foram capazes de ver através da capa.

Qual o problema agora? Perdi completamente o controle sobre o que pode ou não furar a terra... a pressão é muito forte.

Não posso seguir assim por muito tempo. Mas não quero voltar ao equilíbrio anterior. E sinto que sou 10 pessoas em uma. Isto tudo é uma loucura.

O período de céu azul foi maravilhoso, a vida voltou a fazer sentido. Mas estou de volta e, por agora, ainda consigo me manter de pé.

PS.: Quanto aos últimos posts, longos, eles são um esforço para documentar minhas histórias para a posteridade. Penso em um dia juntar tudo em um livro para meus filhos. Quem sabe eles possam me entender algum dia.

A todos uma boa noite de sono.

“… 110, 120, 160. Só pra ver, até quando o motor aguenta...”*

Passo rapidamente a quinta marcha, volto a sentir o acelerador sob meu pé direito. O carro responde como esperado: 100... 120... 140 Km/h. O dia parece perfeito para o ensejo. Um verde ensolarado passa rapidamente pelos cantos dos meus olhos mas meu olhar está fixo na estrada. O carro pede mais e eu passo lentamente a sexta marcha. Minha mão vai ao câmbio e passo a marcha como alguém que coloca na colher o último pedaço da sobremesa. Meu coração dispara quando constato discretamente que cheguei aos 180 quilômetros horários.

Uma excitação pueril me invade, algo de meu lado criança, como quem está abrindo a caixa do tão esperado brinquedo novo. O carro ainda tem potência de sobra e eu estou disposto a fazer um bom uso dela. 190... 200 Km/h. Wow. “Mamãe, estou a 200 Km/h” – penso. 210 Km/h. Sinto o carro muito próximo ao solo e me sinto como que fundido à máquina, os amortecedores são minhas pernas, as rodas meus pés. Sinto toda a irregularidade da estrada e tenho a nítida sensação de que uma pedra qualquer pode me mandar diretamente para a Lua. O carro ainda não está no limite e quando decido pisar um pouquinho mais flashes da minha história com carros passam rapidamente em minha mente...

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Desde que me entendo por gente que gosto de carros. Desde criança vejo Fórmula 1. Na falta de carrinhos eu brincava de “corridas” usando o baralho sobre o sofá; cada carta era um carro. Meu pai sempre teve uma vida errante neste quesito. Quando eu ainda era bem pequeno meu pai teve um chevette que pegou fogo dentro da garagem de casa. Acho que tenho alguma vaga lembrança do chevette mas nada realmente concreto. Me pergunto se tudo isto me influenciou para decidir por engenharia mecânica quando era óbvio que eu deveria fazer elétrica (outra história).

Sempre passamos por períodos com carro e períodos sem carro. Um dia meu pai apareceu com um fusca verde. Tivemos este fusca por muitos, muitos anos. Até hoje não sei exatamente o rolo que meu pai fez para ter o fusca mas eu sabia que ele não tinha os documentos para poder vender o carro. Sem dúvida este foi o motivo de tantos anos com o fusca que, perto do final de sua vida útil, foi carinhosamente apelidado de abacatão, por motivos óbvios :)

Este fusca marcou toda uma etapa de minha vida. Era com ele que meu pai nos levou todas as manhãs à escola, dos meus 7 até 16 anos. Houveram caronas regulares como de Ramon ou Tom. Até chegar no inacreditável verde abacate, o fusca passou por muitas pinturas e vários tons de verde. O que mais gostei foi um verde metálico escuro.

O ritual era sempre o mesmo: pintura, pontos espassos de ferrugem, muita ferrugem, alguns concertos em marrom, o carro está mais marrom que verde e nova pintura.

Foi neste fusca que aprendi a dirigir. Nesta época “abacatão” tinha uma folga no volante de ao menos uns 30 graus. Você girava o volante e o carro continuava indo reto. Parecia uma cena de filmes antigos onde o cara dirige no estúdio girando o volante compulsivamente para direita e para a esquerda.

Abacatão não tinha mais o banco do carona e ao passar por qualquer buraco ambas as portas abriam automaticamente. Era um carro com personalidade forte. Ao abrirem as portas você tinha que tentar fechar enquanto mantinha o carro indo reto com todo cuidado com a folga do volante. Isto é uma escola e tanto para quem está aprendendo a dirigir. Não posso esquecer que o carro só ligava na segunda, na base do empurrão e, de vez em quando, exigia uso de algum conhecimento mais avançado de mecânica.

Para evitar a abertura das portas passávamos uma corda, destas de varal, entre as maçanetas internas de ambas portas. Uma vez, com as portas devidamente atadas, deixamos de dar carona a um conhecido pela vergonha de ter que desatar e voltar a atar as portas.

Mas a gente podia ir e vir e, numa cidade como Salvador, você só sabe a falta que um carro faz quando não tem um. Dos 15 aos 17 anos eu dirigia o fusca para percursos curtos, pelo prazer de dirigir. Para lugares distantes eu usava o transporte público como todo mundo apesar de que, de vez em quando, eu sofrer algum pequeno furto (mas isto é outra história). Quando fiz 18 anos meu maior objetivo era tirar diretamente a carteira de habilitação. Infelizmente o fusca tinha sido aposentado pouco antes e estávamos sem carro. Tirei a carteira assim mesmo mas fiquei um bom tempo sem dirigir.


Depois do fusca meu pai teve um chevette prata (este era apelidadeo chevelho). Foi o carro que eu e meu irmão mais curtimos. O que mais nos levou e onde mais dirigimos. Foi a época de nosso primeiro namoro e não era fácil dividir o carro mas o fato de sairmos muito juntos e das namoradas serem amigas facilitou bastante. Boa época esta, uma das que mais sinto saudades. Principalmente porque foi de certa forma a que mais estive mais próximo ao meu irmão. Saudades dos jogos de dominó :-)


Lembrei também do primeiro carro que comprei. Este, Guna foi o que mais conheceu. Um chevette prateado a àlcool que pertencia ao meu chefe no meu primeiro emprego. A empresa era a recém formada 4COM e eu trabalhava inicialmente na casa de um dos donos porque ainda não tínhamos um escritório. Quando montamos o escritório (uma salinha 2 x 3m que se assemelhava a um corredor) eu tive contato com os outros donos e acabei comprando o chevette 82 de Falcão (uma pessoa espetacular que vale muitas histórias por aqui).

Eu ganhava 500 reais bruto e comprei o carro por 1900 reais. Não houve seguradora que quisesse colocar seguro num carro tão velho – estávamos em 1996, eu tinha 20 anos e estava terminando a faculdade de informática.

A “felicidade” do carro próprio não durou muito. Passei rapidamente no aniversário de uma amiga em Itapuã e quando saimos (eu estava com minha primeira namorada, Andrea) eu não conseguia encontrar o carro. Ele tinha sido roubado, junto com os módulos pré-vestibular de minha namorada, uma placa de vídeo que Guna tinha me emprestado além de um milhão de bugingangas diversas minhas (até uma pedra – ops, ops, uma rocha – que eu tinha pego na estrada para meu irmão geólogo).

A parte cômica desta história aconteceu no outro dia. Como eu sempre passava para buscar Guna para ir ao trabalho, peguei emprestado o carro de meu pai (um corcel II tão velho quanto meu ex-chevette). Guna se surpreende do fato de eu estar com o carro de meu pai e pergunta o motivo. Eu respondo que tenho uma má e uma péssima notícia para ele. “O que foi?” – pergunta Guna e eu respondo “Rapaz, a má notícia foi que roubaram sua placa de vídeo. Sinto muito”. Guna pertunga como e respondo: “A péssima notícia é que levaram meu carro junto”. E demos boas risadas.

De aí em diante aumentei minha expectativa quanto a carros. Meu próximo carro seria um carro “segurável” :-)

A esta altura eu tinha subido bastante na 4COM, já ganhava mais que o dobro do que antes e resolvi mudar de emprego. Eu passei a ganhar menos no novo emprego e foi difícil explicar na 4COM. Eu adorava o pessoal lá e o clima da empresa e sabia que eles iam me valorizar mais e mais. Mas, na outra empresa – UNITECH – eu trabalharia com um sistema muito mais desafiante, iria aprender muito. E, verdade seja dita, aprendi realmente bastante embora ganhasse uma verdadeira miséria. Sai de 1200 reais na 4COM para 900 na UNITECH e segui por mais um par de anos isento no IR :)

Na UNITECH montei todo um sistema de controle de minhas finanças com 2 objetivos: 1-visitar meu irmao nos EUA e 2-comprar um carro que pudesse colocar no seguro. Alcancei os 2 quando comprei um corsa preto 1.4 (financiado, claro). Uma maravilha!

Só tinha um problema. O aperto foi tão grande que eu não tinha dinheiro para colocar gasolina e o carro ficou parado os primeiros dias no estacionamento. Eu pegava orgulhoso os 3 ônibus para ir ao trabalho pensando que isto agora ia durar muito pouco. Ele iria ficar parado por ao menos um mês não fosse pela ajuda de meu pai (que me ajudou indiretamente para não ferir meu orgulho) e de alguns amigos como Johnny.

Alguns anos depois, quando eu já ganhava bem o suficiente, comprei um Palio completo 16V com somente um ano de uso na mão de um amigo. Foi o melhor carro que tive. Vendi um ano depois de vir para Europa para o irmão do primeiro dono, o grande amigo Paulo Jorge. Isto depois de um acidente com o carro, que foi a cereja no fim de um relacionamento tempestuoso. Lógico que eu já não tinha mais seguro mas isto é outra história.


Uma irregularidade na pista me traz de volta à realidade...

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220 Km/h. Me pergunto como posso ir tão rápido e tudo passar tão lentamente. Agora compreendo os corredores de Fórmula 1. A velocidade é algo fantástico. Pisar um pouco mais ou terminar com o que agora começava a ser um martírio pela insegurança que passei a sentir?.

Inacreditável que, depois de tudo, estou aqui, em plena Alemanha, dirigindo um audi A6 alugado, entre Passau e Munich, batendo meus récordes pessoais de velocidade e, a esta altura, morto de medo.

Enquanto estou tomando a decisão de acelerar ou não um outro carro passa por mim como se eu estivesse a 80 por hora e ele voando baixo. Um Porsche negro. Sim, ele estava voando baixo. Desisto de acelerar mais. Me deparei com meus proprios limites. 220 Km/h por algum tempo e desaceleração.

Saio com uma nova idéia de futuro na cabeça: Alugar um Porshe!

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* Infinita Highway – Engenheiros do Hawai

quarta-feira, 30 de abril de 2008

"Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver"*

Existem momentos mágicos e deles se alimenta o viver.

Hoje foi um destes dias de céu azul. Sei que é um engano o céu azul no olho do furacão, mas isto não quer dizer que teria que deixar de aproveitar este momento especial.

Fui pro show de Milton Nascimento e Jobim Trio, preparado para ser especial. Mas não estava preparado para tanto. Foi mágico, uma noite mágica.

Mas sei que "meu caminho é de pedras, como posso sonhar"*? "Sonho feito de brisa, vento vem terminar"*.

Espero chegar logo à última estrofe que entitula o post.

A todos muito boa noite que hoje, acredito, dormirei feliz.

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* Travessia - Milton Nascimento

domingo, 27 de abril de 2008

"Ajayô, ajayô ô ô ô. Axé babá, axé babá á á á" (1)

Em meados de 2000 fui pros EUA visitar Douglas. Estou andando por Manhattan, descendo a quinta avenida, atravesso uma rua e escuto alguém me chamando (aos gritos) pelo apelido de infância:

- Polho, Polho.

Nos segundos que meu cérebro demorou em registrar, aceitar e processar o que estava acontecendo eu escutava outra pessoa dizendo:

- Não é Polho
- É sim.

Me viro e vejo Christiano e Toy, dois amigos das antigas e que eu não via fazia alguns anos.

Batemos papo, eles estavam morando em NY, vivendo a vida, trabalhando e comendo à base de White Castel ( uma espécie de McDonalds super-hiper-mega barato onde você compra hamburguer à duzia, literalmente ).

Depois de muita risada e uma curta troca de experiências cada um segue o seu lado. Quando estou entrando no trem que me levaria a New Jersey notei que esqueci de pegar o telefone deles. A gente poderia sair alguma noite para tomar uma e papear mais.

Comento isto com Douglas que da muita risada da minha cara. Primeiro pelo fato inacreditável de eu encontrar amigos quando estou passeando por NY. Segundo por ser desligado o suficiente para não trocar telefones.

Termino respondendo a Douglas que acabarei encontrando Crhistiano e Toy "por ai".

Três dias depois vou com Douglas à noite tomar uma de bar em bar no Village e adivinhem que eu encontro? Pois é, lá estão Chris e Toy caminhando pela mesma rua sem destino como eu e Douglas.

Meados de 2004, estou vivendo em Barcelona perto de defender meu mestrado e meu orientador decide que vamos a Salvador para uma especie de conferência-encontro onde meu orientador vai fazer uma apresentação e tentar vender a idéia de um doutorado conjunto entre alguma universidade de Salvador e a Universidade Autônoma de Barcelona (até hoje não entendo como pode ter faltado vontade política por parte do Brasil de colocar esta idéia em prática, imagine somente que os diplomas seriam duplos europeu e brasileiro - uma pena).

Estamos alí buscando o secretário da Fapesb quando reconheço a pessoa que está, de terno e gravata, ao lado do secretário. Era Christiano! Mais uma vez damos muita risada. Ele me explica que estava acessorando a Fapesb. Isto ajudou a gente a conversar com o governo. Conversei bastante com Chris neste dia, atualizamos a vida e ele disse que um dia destes viria me visitar em Barcelona.

Ano 2006. Estou me preparando para iniciar a escritura de minha tese. Recebo um email de Christiano convidando para ir a um show de sua banda em um bar de Barcelona. "Barcelona???" Penso eu. Convido um par de amigos espanhois, respondo seu email dizendo que vamos e "incluindo nosso nome na lista de entrada". Prática esta bastante brasileira, importada por Christiano, e que evitou que pagássemos os 7 euros da entrada.

Christiano tinha saído da Fapesb e estava fazendo uma pós aqui em Barcelona. Na realidade ele estava tocando com sua banda e estudando nas horas vagas. Le pergunto de Toy e descubro que ele está morando na Austrália.

Christiano foi ficando, foi ficando e segue por aquí. Anteontem fui para mais um show da banda de Christiano, Iyexá. Gosto muito dos seus shows, música baiana bem selecionada e acabo sempre conhecendo alguns brasileiros mais.

Encontro entã0 com Toy que está agora morando em Barcelona e fazendo algum tipo de curso. Trabalha de VJ em uma discoteca e está iniciando hoje em alguma barraca de praia, trabalhando na cozinha - cozinha, Toy???? hummmm.

Pensando nas letras das músicas cheguei à conclusão que, assim como os americanos fazem sua catarze e escrevem sua história com filmes hollywoodianos; os cariocas sonham através de suas novelas exibindo os desejos de ser classe média alta com casas decoradas, roupas de marca e do Rio ser o umbigo do mundo. Nós, os baianos, cantamos nossa vida, nosso dia a dia, mas não o da classe alta e sim a do povo de verdade, com letras e músicas escritas por pessoas que fazem parte deste povo.

Se é verdade que "quem canta os males espanta" a Bahia é uma terra pura de todos os males.

Nas letras estão com igual status o Corredor da Vitória, a "negra do cabelo duro" e o bairro da Liberdade. Isto sem contar a "ladeira do Pelô", Curusu, Amaralina, e até a Boca do Rio que é "beleza pura". Bairros de classe alta e não tão alta assim.

Mas, para mim, o mais interessante é que a felicidade está presente em todas as castas e isto não deixa de ser verdade. "O nordestino é acima de tudo um forte" e, além de forte, é alegre apesar de toda adversidade. "Alegria, alegria é o estado que chamamos Bahia".

É uma verdadeira pena ver que o "Haití é aqui" e doi presenciar o "paradoxo" entre riqueza e pobreza "escondido na areia", um com visão romântica da sereia do mundo enquanto os "outros a desejar seu rabo para ceia".

E ao olhar para política, ao conversar com a classe média e com a elite universtitária não dá para deixar de pensar: "Ôôô , ôô. Gente estúpida. Ôôô , ôô. Gente hipócrita."

E "quando você for convidado pra subir no adro da Fundação Casa de Jorge Amado" verá onde foi o último Pelourinho, onde os escravos foram torturados. Constatará que ainda hoje "ninguém é cidadão". "Como é que pretos, pobres e mulatos, e quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados"?

E nós cantamos nossas virtudes, nossos males, desejos e amores. Em música ritimada, nos batuques, nas letras, nas palafitas, nos barracos. Cantamos, dançamos e festejamos. Criamos uma democracia da música onde as classes se encontram. Mas estamos longe de romper os préconceitos. Longe de romper as amarras para encontrar o bem estar desta gente.

"Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter sonho sempre". E "andar com fé eu vou". Fé de que um dia isto tudo mude e possamos resolver nossos problemas de educação, segurança e pobreza.

Afinal "é claro que o sol vai voltar amanhã"(2) e na Bahia o sol volta sempre bem quente e muito forte.

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(1) Ajaiô - Luis Calda
(2) Acredito ser a única citação neste post de uma música que não foi composta por um baiano. Mais uma vez - Renato Russo

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Na Volta Que O Mundo (Vânia Abreu)

"Um dia eu senti um desejo profundo
De me aventurar nesse mundo
Pra ver onde o mundo vai dar

Saí do meu canto na beira do rio
E fui prum convés de navio
Seguindo pros rumos do mar

Pisei muito porto de língua estrangeira
Amei muita moça solteira
Fiz muita cantiga por lá

Varei cordilheira, geleira e deserto
O mundo pra mim ficou perto
E a terra parou de rodar

Com o tempo
Foi dando uma coisa em meu peito
Um aperto difícil da gente explicar

Saudade, não sei bem de quê
Tristeza, não sei bem por que
Vontade até sem querer de chorar

Angústia de não se entender
Um tédio que a gente nem crê
Anseio de tudo esquecer e voltar

Juntei os meus troços num saco de pano
Telegrafei pro meu mano
Dizendo que ia chegar

Agora aprendi por que o mundo dá volta
Quanto mais a gente se solta
Mais fica no mesmo lugar"



Bateu saudade de meu irmão...
Boa noite a todos.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Onde?

Se você não tivesse restrições financeiras, não fosse casado, e o emprego não te limitasse. Em outras palavras, se você pudesse escolher livremente.

Onde você moraria?

Confesso que não tenho uma resposta satisfatória ainda que esteja muito feliz com minhas escolhas até agora.

E você?

sábado, 19 de abril de 2008

"When you only got 100 years to live" [1]

Desde que tomei a decisão de abandonar meu cantinho ao sol na minha terra natal parece que os anos tem rendido muito mais. Em 6 anos fiz um doutorado e um pós doutorado, viajei por meia Europa (numa conta imprecisa viajei mais ou menos 100 vezes em avião - entrei em um pela primeira vez com 22 anos), me mudei ao menos 5 vezes, vivi em 3 países, dei muita risada, contei muita história e sofri muito também (não necessariamente nesta ordem).

E, de repente, começo a mentalizar que, apesar de tudo, viver a vida é maravilhoso. É um bilhete só de ida onde você tem que percorrer o caminho com suas próprias pernas mas tem muita coisa interessante para se fazer durante a caminhada.

Nunca em minha vida pensei disfrutar tanto dançando. E, quinta-feira, cheguei em casa morto de cansado, acabado, às 4 da matina, de tanto dançar. Com amigas, com meninas desconhecidas, sozinho, girar, pular, errar passos, sorrir, conversar...

As vezes penso que na rápida ampulheta de uma vida eu demorei muito para descobrir atividades que me fazem feliz. Sim, gosto do que faço para ganhar a vida. Sempre gostei. Mas confesso que passei dos limites. Durante os anos da universidade lembro que ia pela manhã para a UFBa, pela tarde para a UCSal, à noite de volta à UFBa e depois eu ia para a Vitória/Graça dar aulas particulares e com isto ganhar o dinheiro necessário para viver mais uma semana e satisfazer meu sonho de comprar um carro.

Ai, ai... tão efêmero carro... hahahahaha...

Ahh... ainda tinha uma namorada que eu via ao menos 3 dias na semana. Como? Hahahaa....

Gostava muito de minha vida mas ela estava somente de um lado. Demorou para descobrir o que era um restaurante ou o prazer de ter algumas coisas. Demorou mais ainda para curtir viagens e ir a pousadas.

Muito mais para curtir dançar. Agora estou em aulas para aprender a velejar e estou curtindo muito. Minha vida é muito mais intensa e assim como era difícil romper a inércia de quando eu estava parado, trabalhando, agora é difícil romper a inércia das atividades.

Tenho saído muito, com muitos diferentes amigos, e sinto falta de sair com outros amigos. Tenho trabalhado muito, aprendido mais ainda. Sofrido com os caminhos da vida mas curtido também as alternativas que estes caminhos apresentam.

Agora estou em casa, organizando fotos, vendo na janela a luz do sol e me preparando para dar uma saída. Penso em quem sabe poder sair à noite para tomar algo e dançar um pouco. Vejo que tenho muito para arrumar na casa e gosto disso. Penso nos desfios do futuro que me dão medo mas que podem me trazer muita felicidade tbem.

Entro no chat com um amigo e fico super feliz com uma notícia sua. Amo muito meus amigos e é tão bom ter verdadeiro prazer e se sentir verdadeiramente feliz com a conquista dos outros como se fossem suas.

De repente, meus anos tem sido intensos. De repente tenho muito o que contar sobre a semana que se passou. Nesta semana fiz muito. Trabalhei, registrei meu primeiro pedido de patente (espero que saia), encontrei com um amigo brasileiro em lua de mel e ficamos duas noites batendo papo até as 3. Dancei muito, tive 2 aulas e fui uma noite para dançar, dançar até o corpo pedir para parar. Registrei meu domínio e estou entrando na net por pura curiosidade do que são as diferente ferramentas. Criei uma web de brincadeira no meu computador pessoal e estou jogando com "Ruby on rails". Não, isto de web e dominio e host não vai dar em nada. Mas, não importa. Não sou mais tão exigente comigo mesmo. Está dando diversão e aprendizado agora. É tudo que quero. Um dia feliz não tem preço. Acordar colocando música e fazer as tarefas da casa dançando e cantando é impagável.

Afinal, não posso voltar a esquecer que temos somente 100 anos para viver, e isto, se tivermos muita sorte!


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[1] 100 Years - Five for Fighting

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Educação

A hora no trem...

Acho interessante refletir como nossa percepção é relativa.

Todos os dias vou e volto do trabalho usando transporte público. Não tenho uma forma padrão de ir para o trabalho.

Pensando friamente, é um verdadeiro martírio :-)

São inevitavelmente três transportes. As vezes vou de metrô, trem regional e o ônibus do polígono industrial; as vezes pego dois trens regionais e o bendito busu; e, mais raramente, ônibus, trem e outro busu.

A realidade é que gasto entre uma hora e uma hora e meia para chegar ao trabalho. Eu ficava sempre pensando no divertido que seria ter algum amigo para papear durante o trajeto.

No início era sim um sofrimento. Sou muito ativo e ficar tanto tempo dentro de transporte é um transtorno. Então comecei a escutar música. É muito legal mas não satisfaz minha impaciência.

Daí vieram os jornais gratuitos. De um jornal a outro cheguei ao ADN que tem um sudoku na última página.

Perfeito. O sudoku fácil sempre saia mas o difícil consumia meu tempo do segundo trem (o mais longo) e, ainda assim, não era garantido que eu conseguia fazer.

Passei a fazer a "competição sudoku" entre eduardo e adn. Eu contava quantos dias na semana conseguia terminar o sudoku. O objetivo era, dos 5 dias úteis, acertar o bendito sudoku em ao menos 3. Ficava 3x2 e eu ganhava.

Mas o cerebro funciona, e funciona bem. Um mês depois e eu já estava dando de 5x0 todas semanas. Ainda assim é algo divertido que continuo fazendo só que agora na volta de metrô.

Passei então a ler livros. Massa. Depois senti que precisavar ler mais sobre o meu trabalho e passei a ler um livro técnico. Acho livros técnicos um saco e passei a dividir a viagem em diferentes atividades.

Então recebi um laptop no emprego e passei a usar ele no trem mais longo. E foi então que o sistema entrou em rítmo acelerado.

Descobri que eu tinha um "backlog" de atividades imenso e que poderia dar vazão a elas no tempo mais morto do meu dia: o transporde de ir e vir.

Sempre tive vontade de ver as palestras do TED. Coloquei no horário do trem. Quando chego em casa estou morto e minha contabilidade pessoal está sempre atrasada. Solução? Faz no trem.

Fiz um pacto com um amigo de escrever para um blog técnico. Advinhou? Lógico, escreve no trem.

No caminhada do trabalho até o ponto de ônibus vou pensando o que fazer na viagem de trem. E o tempo passa voando.

Até que um dia quando sai do ônibus e cheguei na estação de trem, decidido a ver um vídeo e responder uns emails (offline of course) durante o percurso, encontro um conhecido. E, minha reação instantânea foi a de pensar: "que saco... hoje não vou ter tempo para fazer nada".

Que irônico, pensei logo depois. Antes isto era tudo o que eu queria :D

Acontece que agora o tempo do trem entrou em colapso. Tenho muito mais atividades do que tempo de transporte. Ler jornal no primeiro metrô (ADN com o sudoku mas não toco no bendito). Transbordo. Atividades no computador no trem (palestra, escrever, ler blogs, responder emails, ler artigos, corrigir artigos para conferencias ou para amigos, ler algum livro, ler um capítulo do livro técnico, ...). Transbordo e ônibus até o trabalho. Leio outro jornal.

Na volta: Caminhada até o ponto. Penso na atividade do trem. Esperando o ônibus, no percurso e esperando o trem. Finalmente o sudoku! Trem na volta (1001 atividades). E finalmente o metrô na volta quando divido o tempo entre ler algo e pensar no que vou fazer para jantar.

Uma loucura.

Agora inventei de entrar em um curso para aprender a velejar. As aulas teóricas são aqui mesmo no trabalho. Primeira aula e o professor da um livro e diz que a gente tem que ler 2 capítulos até a próxima aula na semana que vem.

Advinhe em que horário agendei minha leitura???

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Eu, esta noite!

Poema de sete faces

(Drummond)

"...

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."



domingo, 16 de março de 2008

Blogs worth reading...

Resolvi escrever para um amigo os 8 blogs que eu prefiro e não deixo de ler: (e, lógico, recomendo)

1) Blog do Alon ( http://blogdoalon.blogspot.com/ ) - "Um ponto de vista democrático, nacional e de esquerda": Um blog sobre política que para mim é super lúcido. De vez em quando um pouco radical mas sempre com opiniões fundamentadas.

2) dia a dia, bit a bit - por Silvio Meira (http://silviomeira.blog.terra.com.br/): Excelente blog sobre tecnologia da informação.

3) Eu Tava Aqui Pensando ou Blá Blá Blá (http://ricardocury.blogspot.com/): Este vale para rir muito. Um blog sobre o autor, Ricardo Cury, e suas experiências de vida, rock'n roll e etc.

4) Seth's Godin (http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/): Marketing, informática, business, e muito mais

5) Brainstorm #9 (http://www.brainstorm9.com.br/): Marketing e publicidade

6) Joel on Software (http://www.joelonsoftware.com/): Software development, experiences and so on :)

7) Page not Out (http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/): Este só vendo mesmo... coisas muito curiosas. Serve para "space out your mind

8) Codding Horror (http://www.codinghorror.com/blog/): Para os programadores de plantão.

Também recomendo ver palestras do TED ( http://www.ted.com/ ) e colocarei minhas preferidas aqui no futuro.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...
isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
as vezes, para realinhar os pensamentos...
isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos
impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMO E
PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA.

[Francisco Buarque de Holanda]

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sudoku


Uma charge mais porque hoje estou num dia animado.